quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Economia Data:9/9/2009 - Hora:01:06



Leilão da hidrelétrica de Belo Monte atenderá autoprodutores de energia


Da redação EcoAmazônia

A pedido do governo do Pará, o edital de licitação da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, vai abrir espaço para a participação dos autoprodutores de energia. A informação foi divulgada nesta terça-feira, 8, pelo jornal Valor Econômico, com base em fontes do governo federal. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, diz que estarão no edital as condições para participação dos autoprodutores. Segundo ainda o jornal, uma intensa articulação de bastidores está sendo realizada pelo governo para garantir o sucesso no leilão da usina, previso para novembro.

O pedido para que oa autoprodutores participassem do leilão foi feito pela governadora Ana Júlia e colocado como condição para que a usina saísse do papel. Segundo a governadora, a solicitação tem como alvo os autoprodutores, os quais visam o fornecimento de energia para empreendimentos localizados no Pará. Eles poderiam participar do leilão e, consequentemente, ter uma parcela da energia gerada. Os autoprodutores são pessoas físicas ou jurídicas, ou mesmo empresas reunidas em consórcio, que têm concessão ou autorização para produzir energia elétrica destinada ao seu uso exclusivo. A Vale e a Alcoa são exemplos de empresas autoprodutoras de energia.

A governadora pediu ao ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, que pelo menos 25% da energia de Belo Monte seja reservada para os autoprodutores. Segundo Ana Júlia, o pedido para que, na definição das regras do leilão, parte da geração de Belo Monte seja dedicada à autoprodução, significa atrair mais empreendimentos para o Pará. "Será uma nova fase para o Brasil, com a geração de energia elétrica induzindo o desenvolvimento regional", afirmou a governadora.

Com a garantia da destinação de parte da energia para os autoprodutores, o Pará poderá ampliar a produção de alumínio. O governo calcula que, com 25% da energia média gerada por Belo Monte, se chegaria a 1.200 MW, o bastante para implantar mais duas grandes indústrias do setor no Pará. Cada uma dessas empresas consumiria 600 MW e comercializaria aproximadamente U$ 900 milhões anuais. Juntas, elas gerariam, em salários e pagamentos a fornecedores, um valor anual estimado de R$ 400 milhões.

Competição

Ainda de acordo com o jornal Valor Econômico, o governo vem se esforçando para garantir a competição no leilão. "Um a um, os grupos interessados na usina de Belo Monte foram chamados à sala da secretária da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, durante o último mês. Os executivos foram lá para ouvir do governo que a estratégia de formar um único consórcio para competir no leilão daquela que será a maior usina hidrelétrica do país desde Itaipu não iria ficar de pé", diz o jornal.

O Valor destaca que os valores totais a serem investidos em Belo Monte ainda são pura especulação e vai de R$ 15 bilhões a R$ 30 bilhões, a depender de quem faz a conta. "De qualquer forma, o edital vai abrir espaço para a participação dos autoprodutores de energia, que com isso podem aliviar a quantidade de capital a ser injetado por outros sócios. E o BNDES foi procurado para melhorar as condições do financiamento para a usina, inclusive com declaração pública das condições que serão oferecidas", acrescenta a reportagem.

Os autoprodutores, ainda de acordo com o Valor, propuseram que a Eletrobrás assuma toda a parte da obra que diz respeito aos canais, que ligam um ponto do rio Xingu a outro. Essa é a parte mais arriscada do projeto, pelo volume de terras e rochas a ser escavado e preocupa os autoprodutores que, se participarem do leilão, terão que assumir todos os riscos junto com os outros sócios. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, diz que é difícil que essa proposta seja aceita, mas garante que estarão no edital as condições para participação dos autoprodutores. A tendência, segundo Tolmasquim, é que fique assegurado que pelo menos 70% da energia de Belo Monte, do total de 11 mil MW, seja destinada ao mercado cativo.



Fonte: Redacão Ecoamazônia

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