quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Violência contra mulheres: "Homem, incapaz de aceitar a emancipação"


Cidade do Vaticano (RV) – “A incapacidade de aceitar a emancipação das mulheres e o fato que tenham conquistado direitos é algo que muitos homens não conseguem tolerar, e que os leva a matá-las” – afirma o jornal “L'Osservatore Romano”, em um artigo sobre o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, 25 de novembro.

Sob o título “Ele, incapaz de aceitar a emancipação”, Giulia Galeotti denuncia no vespertino da Santa Sé a “monstruosa incapacidade” de muitos homens de relacionar-se com o próximo, “com as mulheres com as quais convivem e dizem amar”.

“Golpear e matar quem é fisicamente mais fraco é uma desumana demonstração de covardia e desprezo” – afirma a historiadora. Galeotti acrescenta que tais abusos, particularmente dissimulados, se cometem cada vez mais dentro das paredes de nossas casas, e milhares de vítimas são violadas silenciosamente, dia após dia, “sob os nossos olhos distraídos”.

A violência contra as mulheres – assinala o artigo – é também contra toda a sociedade, “já que a vira as costas para a esperança, é o cimento que imobiliza o amanhã”.

Giulia Galeotti assinala que na Itália, uma mulher é assassinada a cada 63 horas, e se questiona se estamos diante de um fenômeno novo ou se simplesmente somos mais informados, respondendo: “Se assim fosse, já seria uma conquista de uma sociedade civil capaz de dar um nome a seus torturadores, algozes”.

O Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres quer nos despertar da indiferença: “se não reagirmos acabaremos sendo cúmplices da esterilidade de nossa vida civil” – acrescenta Galeotti.

O artigo arremata com a frase de Vasilij Grossman, em seu livro "Vida e destino": “quando a violência tenta cancelar variedade e diferenças, a vida acaba”.


(CM)

Nenhum comentário:

Postar um comentário